segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Das mudanças

Três meses longe daqui,  e é engraçado ver como tudo pode ser tão diferente (e bom) em tão pouco tempo.

Elucubrações de uma mente cansada. Mais uma página de um diário sem sequência lógica.

As coisas andam estranhas, MUITO estranhas.  Mas sabe um estranho bom? Então!!!

Muitas de minhas expectativas ruíram e viraram pó, em compensação o inusitado tem me visitado todos os dias.

Tomei decisões radicais, mudei hábitos de vida, mudei meus olhos e minha alma de lugar, aprendi o significado de abstrair,  a importância do tédio e olha só: sim, vou muito bem obrigada.

Não sei bem se foi premeditado, acho até que não, mas houve um momento em que eu conclui que meu amor próprio não passava de mera auto-aceitação, então eu comecei a desejar a mudança, me cansei, não queria mais as coisas assim.

E  foi desse jeito que ela chegou, eu cultivei a semente, reguei, cuidei, e a mudança finalmente desabrochou.

Perdi meu medo de dirigir (e isso merece um post exclusivo qualquer dia desses), comecei fazer terapia, to praticando reeducação alimentar e ( com uma ajudinha extra) com medidas drásticas emagreci 15 kg , finalmente comecei minhas aulas de dança, tenho feito caminhadas 3x por semana, deletei pessoas da minha vida, resgatei algumas que andavam perdidas  e a melhor coisa de todas: estou aprendendo a manter a serenidade. O mundo esta de ponta cabeça? Tudo bem, eu não estou, então né?!?! Deixa pra lá. (olha quanta evolução ai minha gente!).

Estou fazendo meu melhor, mesmo que esse melhor por vezes seja passos tortos e trôpegos, ainda tenho meus milhares de medos, desde os pequenininhos até os grandes, que me tiram o fôlego, ainda preciso trabalhar e resolver um tanto bem grande de coisinhas feias e tortas que há em mim e algumas vezes eu canso, morro de preguiça e de falta de vontade, mas outras eu quero mesmo é botar pra quebrar, empunhar a espada e matar todos os leões que aparecerem no meu caminho, às vezes eu acho lindeza na vida e nessa caminhada, nesses dias sigo cantarolando sorridente a minha alegria, cantarolando e girando, assim como a vida.

 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Da síndrome de super-herói

Uma das coisas mais absurdas que nós (ou eu) temos na cabeça é achar que somos uma espécie de super herói e vamos ser sempre capazes de fazer tudo da maneira mais perfeita possível.

É dessa idéia que surgem muitas de minhas frustrações.

Carrego o fardo de ser uma mãe ausente, uma esposa que vive cansada e que infinitas vezes não consegue estar acima das expectativas, uma amiga que volte e meia some e nem sempre é capaz de ser o exemplo, uma filha que consegue estar muito pouco perto e ainda sim, na maioria das vezes apenas por telefone.

Ai eu paro e penso: “É assim mesmo, e eu querendo ou não, é assim que tem que ser. Porque a gente precisa mesmo pra chegar em alguns lugares em alguns momentos se ausentar de outros, ter um monte de tropeços, porque são com eles  que aprendemos como se levantar e é só assim que a gente cresce.”

Mas existem dias, ou momentos, como esse, em que eu acho isso tudo muito errado.

Eu olho para o lado e parece que pra todo mundo não é complicado assim, que os caminhos dos outros nem são tortos e com tantos desvios. Que os outros nem ficam assim rodeados de tantas perguntas, enquanto eu caminho dez passos e volto outros dez pra responder as perguntas que ficaram sem respostas lá trás. Sem contar que parece que todo mundo tem tempo para tudo, desde academia e salão em busca da tão cobrada perfeição estética, até a presença confirmada em todos os eventos sociais e com o plus de que qualquer um que não seja eu parece saber tudo sobre qualquer assunto, demonstrando no mínimo tempo e paciência pra se manter sempre tão bem informado. Enquanto isso eu amargo ausências, um corpo exausto, correria das 6h da matina até 00h, e muitas vezes sentar na roda e me limitar a assumir que não sei daquilo sobre o que estão falando.

-Ué! Não sei mesmo.

E então por alguns segundos eu paro e quase tenho certeza de que quero um caminho como o dos outros, quero uma vida como a dos outros, porque isso de ser mãe, esposa, filha, amiga, funcionária, estudante, não é pra mim. Que tudo isso me cansa demais, que mal tenho forças pra ser eu mesma, imagine todas essas outras coisas.  

Mas como eu já disse, são apenas alguns segundos. Fato é que não me encaixo em caminhos tranqüilos. Não quero a vida perfeita. E não quero por um único motivo: Ela não existe.

Se estou fadada a viver buscando uma coisa intangível, prefiro meus caminhos sinuosos, com cada passo em seu devido tempo.

Vivo e busco as vontades do meu coração.

(ainda que em alguns momentos o caminho para alcançar essas vontades me tragam tantas frustrações).

Sem síndrome de super-herói, e mais uma vez citando Nietzsche: “humana demasiada humana”, é apenas o que consigo ser.

 

 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Meu aniversário


Hoje é meu aniversário
Corpo cheio de esperança
Uma eterna criança, meu bem
Hoje é meu aniversário
Quero só noticia boa
Também daquela pessoa, oba
Hoje eu escolhi passar o dia cantando
De hoje em diante
Eu juro felicidade a mim
Na saúde, na saúde, juventude, na velhice
Vou pelos caminhos brandos
A minha proposta é boa, eu sei
De hoje em diante tudo se descomplicará
Com um nariz de palhaço
Rirei de tudo que me fazia chorar
Cercada de bons amigos me protegerei
Numa mão bombons e sonhos
Na outra abraços e parabéns
Quero paparicações no meu dia, por favor
Brigadeiros, mantras, músicas
Gente vibrando a favor
Vamos planejar um belo futuro pra logo mais
Dançar a noite toda
Fela Kuti, Benjor e Clara
...
Parabéns, eu! Parabéns, eu!


Vanessa da Mata - http://letras.terra.com.br/vanessa-da-mata/1755719/

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Das reviravoltas

Na maioria das vezes, gosto de estranhos.
A partir do momento que você conhece alguém de verdade, se decepciona tanto, que é mais confortante ficar no anonimato.
Não me importo se você for indiferente comigo (JÁ ME ACOSTUMEI MUITO COM ISSO), só não me omita nada.
Verdades são ásperas, mas estão aí para serem aceitas, e jamais questionadas.
Já passei por muitas experiências por aqui, e ao contrário do que pensam, aprendi muito com isso.
Endureci um pouco, desacreditei muito das coisas, sobretudo das pessoas e suas boas intenções.
Tô bem assim, bem indiferente. O coração, um cactus. Não me importo mais. Um band-aid no coração, um sorriso nos lábios e tudo bem.
Então, se acha que vai destruir meu coração com suas atitudes, sinto informar, aqui já não existem mais sentimentos.
Tudo é muito indiferente.
Na verdade, tanto faz: BOA SORTE.

Caio F. Abreu





segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A maior mentira de todas - Um texto sobre meu pai

Me disseram que tudo nessa vida passa, é nisso que nos levam a crer, e nós, inocentemente acreditamos. Me disseram que não há um coração partido que não se recupere, e nem pessoa que não possa ser substituída. Me disseram que nenhuma dor é eterna e que o tempo cicatriza tudo.

Hoje, 25 anos na cara e uma dor no coração que nunca cessou, eu digo sem dúvidas: Essas são as maiores mentiras do mundo.

Eu tinha cinco anos quando o carro dele entrou embaixo de um caminhão, e desde então carrego comigo a sensação de vazio, que ninguém e nem nada pode substituir.

Falta alguém, falta alguma coisa, falta um pedaço.

A dor, a angústia e a tristeza ocupa esse lugar que é dele, e onde deveria existir riso e amor, reina o caos e o vazio.

Eu juro que eu tento sabe, mas ao sentar à mesa no almoço de domingo e olhar aqueles olhares todos tão iguais ao que era dele, sou incapaz de não lembrar e é impossível não doer. Eu disfarço, e não deixo nunca ninguém saber que eu vejo a risada dele na risada do irmão mais novo, que o irmão mais velho me chamando de "Polaca", é quase um dejavu de quando ele também me chamava assim, ninguém sabe, mas em alguns cantos da casa e em muitos almoços de domingo eu só consigo enxergar tudo cinza. 

Ninguém nunca entendeu porque eu detesto datas festivas, porque sempre fui contrária a casar na igreja, porque eu já bati o pé e disse que não participarei da formatura, porque em todos os Natais eu sempre fico tão deprimida. Eles não sabem, mas em todos esses dias eu só faço pensar nele, e não seria capaz de entrar numa igreja sem ele ao meu lado, eu não consigo imaginar uma festa de formatura sem ele do meu lado, todo orgulhoso. Eu não consigo, seriam comemorações sem cor, sorriso triste, como tantas vezes são meus sorrisos no Natal, no Dia dos pais, na Páscoa e em tantos outros dias.

Já cansei de imaginar como seria se ele estivesse aqui ( já que a psicologia diz que tudo é sempre culpa do pai), me bate uma espécie de revolta, uma sensação de injustiça. Ele nem pode ver o quanto a gente fez tudo certo, o quanto mesmo sem ele aqui a gente foi a luta e correu atrás de dignidade, de alcançar nossos sonhos, ele nem sabe que suas duas filhas numa espécie de ironia do destino terão a mesma profissão, ele nem conheceu os seus netos, ele não discutiu filosofia comigo, não me ensinou a dirigir,  ele nem teve tempo de ensinar minha irmã andar de bicicleta (como fez comigo).

Há justiça nisso? Para mim não, é contrário a ordem natural da vida, os jovens não morrem, está tudo errado um pai dedicado, cheio de vida e planos morrer assim, numa manhã ensolarada, com apenas 26 anos.

Me disseram que tudo isso passava, me fizeram acreditar que um dia ia parar de doer, mas é a maior mentira do mundo, esses que falam não sabem da minha dor, da minha saudade, da minha angústia e do meu coração partido. A verdade, é que quase 21 anos depois da sua partida, eu sei que não há dor que se cure quando parte de você morre junto com quem morreu.

 

"Pai, se você soubesse a falta que me faz você voltaria e não morreria nunca mais."

 

 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Projeto comunitário

Quem me lê há algum tempo sabe que sou (utópica sonhadora de alguma justiça nesse mundo) acadêmica de Direito.

Na minha grade horária, entre outros, um dos requisitos de graduação é o cumprimento do chamado "Projeto Comunitário", que consiste em ações sociais em comunidades carentes, das quais nós acadêmicos participamos.

Não sou hipócrita em dizer que foi fácil abrir mão de dez manhãs de domingo para estar lá, porque NÃO foi mesmo, mas sou humilde o suficiente para reconhecer o enorme legado que o projeto me deixou, não apenas como aluna e futura profissional, mas como cidadã e principalmente ser humano.

 E este legado, consiste principalmente na maneira totalmente diferente de ver o "próximo" que aprendi a ter, principalmente os que pela vida foram menos privilegiados. Nesse pouco tempo, pude os olhar de uma forma próxima, singular, original e intensa.

Descobri (olha que coisa boa) que somos infinitamente menores do que pensamos ser.

E eu que sempre enchi a boca pra dizer que não seria capaz jamais de sentir amor incondicional, de mãe,  pelas "crias" alheias, me vi as voltas com a maior lição de todas: Aprender a amar alguém vai muito além do fato dela ser rica,  pobre, ateu, evangélico, comunista, capitalista, branco, negro, ou do principalmente do fato do pequeno ser a sua frente ter saído ou não de sua barriga.

Trata-se em primeiro lugar, de despir-se totalmente de nossas amarras e abrir mão de carregar  aquela coisa que fica escondida no âmago da maioria das pessoas e que chamamos de preconceito. Valioso,  é ser o humano que é capaz de livrar-se dele.

Livre de preconceitos, o amor transborda, cobre o que achávamos que sabíamos sobre amar o próximo e varre do nosso ser nossas tão fúteis mesquinharias.

Durante os meses de projeto comunitário conheci I*e P**, dois irmãos, carentes de me causar dores na alma. Conheci, (não sem antes me livrar de meus preconceitos) um pouco de suas histórias: mãe desempregada, pai trabalha viajando, crianças (eram em quatro irmãos) ficavam sozinhas em casa, um dia um deles mexeu com fogo, incendiou a casa toda, quase morreram todos eles, etc, etc, etc. Tentei, na medida de minhas possibilidades  trazer um pouco de sol para essas vidas ainda tão curtas, mas já tão castigadas pelos temporais do caminho. Se bem que, analisando hoje, talvez quem teve o sol brilhando um pouco mais forte na vida tenha sido eu.

Aprendi amar esses meninos e pelo resto da vida estarão comigo, mesmo que apenas em minhas orações.

Por fim, e numa síntese de tudo isso,  levo pra vida uma vontade pura de que ninguém nesse mundo sofra por falta, seja de mãe, pai, pão ou agasalhos quentinhos. E uma fé  enorme em mim, em você que me lê e em nós. Talvez juntos sejamos fortes o suficiente pra lutar e por fim nessas (olha que ironia) desigualdades tão iguais.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Blá blá blá

Falam de tudo.
Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos,
das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzes, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos.
Sobretudo falam do comportamento e falam porque supõem saber.

Mas não sabem, porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente.

Se sentissem, não falariam.

Nelson Rodrigues